segunda-feira, 23 de setembro de 2013

a viagem

o pai dele se mudou esses dias, foi para longe
a mãe dele também
se mudou esses dias pra bem longe
da planície

desses dias
desse frio e o agito
e esse caos

maldito que me leva para a certeza
das casas que ficam,
que não tem previsão
e sobrevoam por alguma planície certeira cristalizada pelos anos

eu acendo uma vela no meu quarto escuro
e nomeio algum deus que não conheço
mas que agora jaz soberano no meu terreiro de pedras,
no meu terreiro de rezas 
aflitas

me tragam alguma sorte
me tragam alguma morte

na qual eu me despeço de um mal que não cometi
e todo mal que cometi é todo mal que consenti
e todo mal que está por vir e cada mal que jaz aqui e ali

eu não consigo provar nessa reza o que é amor e dor
eu já tentei consolar uma missa inteira para o meu amor
uma missa e meia para toda dor e o amor

jaz no leito desse choro dessa vela
já acendi todas pra mim
pra ela
e nós,
e no fim

essa magia das coisas ocultas,
essa magia de um tempo vindouro
num terço num berço um santo pra nós