quinta-feira, 28 de novembro de 2013



deixar as emoções num tempo vitalício, o antes e o agora. não sei mais escrever sem pensar em qual tempo direi. não sei mais escrever se não conheço todos os outros, tempos e versos. me recuso a dizer o que nunca nada mudará no mundo nem em mim

digo: nem em mim

talvez um olhar que eu descarregue na paisagem que se esvai ou se retrai. eu me distraio sempre e me ergo inteira pra constatar que nenhuma palavra à toa hoje me deu bola. nenhuma palavra hoje me disse: vem. pois eu fui caminhando passos largos me desalinhando passo a passo. era o que eu queria. outra versão do quê. uma outra nada daquela, mais subaquática e menos terrena. mais água. quanto mais água, mais translúcida

e ainda assim, não sei

e ficar toda à toa dizendo qualquer? e ficar sempre procurando se talvez? não quero construir um quarteirão de versos se você não puder mais vir, se você também não mais dobrar a esquina. não posso deixar que esse texto me ataque assim de sobreaviso. mas digo que faria tudo outra vez. e sem nenhum tempo perfeito eu deixaria todos os outros versos à míngua. deixaria a boca seca à míngua também. sem nenhuma droga pra você se poupar, sem nenhum nota pra você se conter, sem véu nem mistérios

eu te quis em um só verso, inteiro em poucas linhas

e ainda quero o in verso daquilo que quis e procuro, continuando

porque a prosa me desalinha, mas talvez te queira em prosa também. tudo isso foi e é meu mundo. e não quero saber do que se trata. nada disso se encaixa mais perfeitamente do que te ver num verso. te ouvir num verso, quando leio

"a linha de uma vida inteira"

e me emociono porque sei que se um dia acaba, a linha fica pois o verso se desdobra assim:


a vida inteira pra dizer o que sentes & um verso que fiz e não esqueço




terça-feira, 26 de novembro de 2013

haicaizinho da mulher distraída


me inveje dos pés a cabeça
pois tenho várias
e nenhuma te repara


sábado, 16 de novembro de 2013



uma música ao fundo
estremece em meu ouvido:
que sera sera



sexta-feira, 15 de novembro de 2013



quero ser tua
subo a escada
desço nua



haicai do dia com sol ou uma tentativa de atingir o nirvana (mesmo que o corpo não deixe)

me traga um sol maior
nunca um fá sustenido
ao alcance da alma
todo sol é bem-vindo

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Serra do Cafezal:
No ônibus da Itapemirim
meu amado suspira

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

ruínas

pela fresta
do corpo
vai adentrando
um fio de luz,
uma viagem
ano-luz
até a escuridão




sexta-feira, 1 de novembro de 2013

o homem do mar
e seu engenho:
soltar a vela