ela descobriu o céu ontem
e por ter transposto esse fio
ficou suspensa e imóvel
entre o susto e a contemplação
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
e sempre naquele devir
desconstruir o que fui
e colar os cacos
com uma goma
talvez nasça daí
uma peça que se quebre
outra
talvez nasça daí
uma nova inocência,
menos século vinte&um
a goma se distrai
e em vez de juntar espreita
se der,
as verdades mínimas
tornam a vida mais possível
quiser,
sou pra sempre impossível
quase um candelabro pegando fogo
nesse silêncio irrevogável
que são seus olhos sobre a mesa
terça-feira, 22 de outubro de 2013
um copo de nanquim
a destreza no meu corpo
arrebenta
toda a tempestade
que um dia
uma confissão me trouxe
me deixou aqui despercebida
aos detalhes mais
simples
que é de tinta
essa vida
meus olhos castanhos coroam
alguma planície ao longe
mas agora minguam
para um copo de nanquim
por que(m) choram meus olhos
que também são negros quando ardem
e tão sóbrios quando latem
porque meus olhos choram
que trago a ti um copo de nanquim
para que borre comigo
a tempestade
que um dia
uma confissão me trouxe
arrebenta
toda a tempestade
que um dia
uma confissão me trouxe
me deixou aqui despercebida
aos detalhes mais
simples
que é de tinta
essa vida
meus olhos castanhos coroam
alguma planície ao longe
mas agora minguam
para um copo de nanquim
por que(m) choram meus olhos
que também são negros quando ardem
e tão sóbrios quando latem
porque meus olhos choram
que trago a ti um copo de nanquim
para que borre comigo
a tempestade
que um dia
uma confissão me trouxe
terça-feira, 15 de outubro de 2013
agora a noite carrega a palavra pra dentro de um buraco vazio e comprido carrega pra dentro de um buraco vazio e comprido carrega a palavra rastejante no ouvido a palavra cega carrega a palavra quebrada pra dentro não tem nada não tem água está escuro sem nada a palavra um ouvido vem vindo carrega a palavra pra dentro de um buraco escuro e vazio carrega a palavra pra dentro de um ouvido vazio e comprido carrega e martela mil vezes até a palavra quebrar o ouvido o caminho e o escuro.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
virada
não dá pra fingir que ninguém saberia. agora mesmo me ergo e penso quem sabe um dia você soubesse. o arremesso que faço, me jogar tresloucada no olho da rua. não ouço recado. carro de aço subindo a planície de pó e neblina. óleo de carro fazendo como borra de café pela faixa. na rua seu pé periclitante rondando, não vi acenar tantos dedos, me virei do avesso na esquina e tombei no horizonte. às dez horas de sol todo mundo confunde café com fumaça. eu me entrego num trago, nem duvido do dia. daí me lembro que nasci mais concreta que o acaso e nem cheguei no ponto que queria. eu me entrego num carro, que a rua me tragou com seu cheiro moderno, de ave moderna. o carro mergulhou seu dente afiado no azul de outro dia, passou por cima por baixo da avenida (ou da menina?), tal qual eu não vi decolar no vai e vem dessa via eu não via você vem, ou não vem? não sabia. não dá pra fingir que ninguém saberia. ontem a noite nem consegui o cachorro latindo era um gato minto era um rato minto era um sonho (ou soldado?) pulando telhado era um banho de lua gelado era um canto de chuva um chiado de mim. minto, era um banho dentro de um sonho dentro de um gato dentro do buraco. mas isso aconteceu do outro lado da cidade, numa virada.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
domingo, 6 de outubro de 2013
sábado, 5 de outubro de 2013
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
controverso III
ai de mim
quanto mais eu digo
não digo quanto
mais um tanto
se desfaz
e eu me refaço
em cada ai
quanto mais eu digo
não digo quanto
mais um tanto
se desfaz
e eu me refaço
em cada ai
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
controverso II
se eu disser que meu amor hoje acordou mais doce e apaziguado, você vai acreditar se eu disser que hoje, na altura em que o sol se esconde, na leveza desse mar de quando, acordou mais ao seu lado, coberto de si e de mim e por um instante disse sim
controverso
e era um sim toda vez
quase nunca foi não
foi dessa vez
quase ou sempre
quando da primeira
quase nunca foi não
foi dessa vez
quase ou sempre
quando da primeira
terça-feira, 1 de outubro de 2013
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