sábado, 28 de dezembro de 2013


fita os meus olhos
como ensinou cartola
a lágrima é a agulha da vitrola



haicaizinho do sonho que sonhou

em teu sonho me faço
inteira de cheiros e saudade
sou água no deserto, miragem


na sala de jantar
os pratos sussurram
os nomes que já não estão


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013


e depois de tudo conquistado, o queixo duro das queixas
as mãos ainda fraquejam num primeiro ataque, de soslaio

agora deixem-me a sós com minhas próprias divagações momentâneas
minhas feras de aço que eu mesma as esculpi

agora só me falta hastear a bandeira branca dentro de algum fosso profundo
que de lá ninguém há de duvidar que um dia eu ganhei essa guerra

dentro desse fosso profundo uma inocente ideia me faz duvidar
se, um dia, ser mais que o sol



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

a busca III

te trago novamente arrastado
a esse poema de névoas esquivas

de tempos áureos impérios gigantes
onde os passos daqueles que caminhavam por aqui

veja agora mais de perto
quase encostando o rosto na relva acesa desse chão

não eram apenas passos
ramos de ouro contornando um segredo

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

reintegração


reintegração de posse
num prédio da Ipiranga

um homem passa e tira foto
do seu iphone magistral

a) se o celular for roubado, a foto estará perdida para sempre,
cristalizada num momento-quase de suspense e denúncia?

b) se o celular não for roubado, o homem permanecerá
o mesmo, encoberto das vicissitudes do dia-a-dia

c) a polícia já avança o segundo andar

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

a busca II

te trago novamente para esse poema-ruído-de-mim-mesma




vigas e vertigens

criar o espaço:
nuvens, balão

criar o espaço de aço:
vigas e vertigens

muita corda para um só pescoço
criar o espaço do corpo

fosso
osso
feto
sombra
jejum

o espaço do corpo é ermo,
desjuntado

- me deixe agora sozinha fazendo esse breve relato.



a busca

te trago mais uma vez
arrastado
a esse poema/suspense
e com ele todo o meu desdém
vem junto, como apêndice

olha pra mim agora e tenta decifrar
a cara miúda, sórdida
que faço enquanto você me avalia

olha pra esse poema agora
e me diz quanto é

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

entre o rio e a razão


eu sempre escrevi poesia sem saber o que era (
                                                                       
suas limitações e encontros
um descompasso
a casa & os quartos
um feitiço contra o tempo
o amanhã
o antes

nem
                        nunca

) e mesmo hoje, conhecendo-a?
                                                      :
                                                      como uma porta, um flanco, uma beirada; ou jangada;
                                                      frio&mar; um aviso que sopra e percorre lugares


continuo a mesma mulher de antes                      a     t     e     n     t     a
a um desvio

(caminho sem surpresa para frente e para trás. meu sonho de criança me recorda que um dia, sim, houve um dia quente úmido e selvagem que eu quis ser eu mesma)                                      
                                                                                 
                                                                             
e começo a chorar quando a música toca na parte que diz right or wrong, don´t matter

se hoje um pássaro negro alçou seu voo infinito e quis me consolar
se hoje um pássaro negro com sua consistência de pássaro e matéria viva explodindo no ar quis me consolar por ser da cor do infinito e mais puro que o grito que ele dá quando um tiro o descarrega lá de cima

e suas plumas tocam o chão
                                                     mais
                                             de
                                                     uma
                                             vez



eu permaneço a mesma
a   t   e   n   t   a
entre 
o rio 
a razão