eu sempre escrevi poesia sem saber o que era (
suas limitações e encontros
um descompasso
a casa & os quartos
um feitiço contra o tempo
o amanhã
o antes
nem
nunca
) e mesmo hoje, conhecendo-a?
:
como uma porta, um flanco, uma beirada; ou jangada;
frio&mar; um aviso que sopra e percorre lugares
continuo a mesma mulher de antes a t e n t a
a um desvio
(caminho sem surpresa para frente e para trás. meu sonho de criança me recorda que um dia, sim, houve um dia quente úmido e selvagem que eu quis ser eu mesma)
e começo a chorar quando a música toca na parte que diz right or wrong, don´t matter
se hoje um pássaro negro alçou seu voo infinito e quis me consolar
se hoje um pássaro negro com sua consistência de pássaro e matéria viva explodindo no ar quis me consolar por ser da cor do infinito e mais puro que o grito que ele dá quando um tiro o descarrega lá de cima
e suas plumas tocam o chão
mais
de
uma
vez
eu permaneço a mesma
a t e n t a
entre
o rio
e
a razão