sábado, 5 de abril de 2014

anzol


tudo se esquenta no ausente
faço dele as minhas palavras
te dou tudo: um espaço multicolor
eu li em algum lugar a vida é truísmo
ou algo sempre distante disso

daqui dez anos
retornarei nessa mesma rua
e o espaço vazio do banco
no ponto de ônibus
essa linha de anzol que me puxa para trás

sou eu quem trago esses peixes
sujos árduos impuros
no fundo da sacola
o jornal embrulhando tudo

me lanço na frente do abismo do mundo
que é esse buraco raso e torto na superfície
mas que afunda rodas e pés
enquanto o veículo trepida
e tudo isso porque hoje o ônibus
se perdeu na linha 176



domingo, 30 de março de 2014



a vidente não soube classificar
se era um sonho ou vertigem
as folhas secas que caíam



sábado, 28 de dezembro de 2013


fita os meus olhos
como ensinou cartola
a lágrima é a agulha da vitrola



haicaizinho do sonho que sonhou

em teu sonho me faço
inteira de cheiros e saudade
sou água no deserto, miragem


na sala de jantar
os pratos sussurram
os nomes que já não estão


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013


e depois de tudo conquistado, o queixo duro das queixas
as mãos ainda fraquejam num primeiro ataque, de soslaio

agora deixem-me a sós com minhas próprias divagações momentâneas
minhas feras de aço que eu mesma as esculpi

agora só me falta hastear a bandeira branca dentro de algum fosso profundo
que de lá ninguém há de duvidar que um dia eu ganhei essa guerra

dentro desse fosso profundo uma inocente ideia me faz duvidar
se, um dia, ser mais que o sol



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

a busca III

te trago novamente arrastado
a esse poema de névoas esquivas

de tempos áureos impérios gigantes
onde os passos daqueles que caminhavam por aqui

veja agora mais de perto
quase encostando o rosto na relva acesa desse chão

não eram apenas passos
ramos de ouro contornando um segredo