sábado, 5 de abril de 2014

anzol


tudo se esquenta no ausente
faço dele as minhas palavras
te dou tudo: um espaço multicolor
eu li em algum lugar a vida é truísmo
ou algo sempre distante disso

daqui dez anos
retornarei nessa mesma rua
e o espaço vazio do banco
no ponto de ônibus
essa linha de anzol que me puxa para trás

sou eu quem trago esses peixes
sujos árduos impuros
no fundo da sacola
o jornal embrulhando tudo

me lanço na frente do abismo do mundo
que é esse buraco raso e torto na superfície
mas que afunda rodas e pés
enquanto o veículo trepida
e tudo isso porque hoje o ônibus
se perdeu na linha 176