não dá pra fingir que ninguém saberia. agora mesmo me ergo e penso quem sabe um dia você soubesse. o arremesso que faço, me jogar tresloucada no olho da rua. não ouço recado. carro de aço subindo a planície de pó e neblina. óleo de carro fazendo como borra de café pela faixa. na rua seu pé periclitante rondando, não vi acenar tantos dedos, me virei do avesso na esquina e tombei no horizonte. às dez horas de sol todo mundo confunde café com fumaça. eu me entrego num trago, nem duvido do dia. daí me lembro que nasci mais concreta que o acaso e nem cheguei no ponto que queria. eu me entrego num carro, que a rua me tragou com seu cheiro moderno, de ave moderna. o carro mergulhou seu dente afiado no azul de outro dia, passou por cima por baixo da avenida (ou da menina?), tal qual eu não vi decolar no vai e vem dessa via eu não via você vem, ou não vem? não sabia. não dá pra fingir que ninguém saberia. ontem a noite nem consegui o cachorro latindo era um gato minto era um rato minto era um sonho (ou soldado?) pulando telhado era um banho de lua gelado era um canto de chuva um chiado de mim. minto, era um banho dentro de um sonho dentro de um gato dentro do buraco. mas isso aconteceu do outro lado da cidade, numa virada.