domingo, 30 de dezembro de 2012

voltas


o trilho
na estrada
se aperta
em seu nome
vertigens
e nostalgias

ninguém
se incomode
com o seu chegar:
do alto
do longe
do avesso

daquilo que outrora
era caminho longo e
saudade a resguardar

a locomotiva
se anima
quando as mãos
trançam um fio de afeto
e furtam do azul
uma nesga daquilo
que foi, é
e será

que o filho
dos nossos filhos,
um dia, saberão?
o destino,
talvez

(mas o destino não disse a que veio)

e desembarcam, buscam,
se lançam à frente,
talvez

quando o brilho do farol
apita e se deita sobre
um olhar mais taciturno

todos respiram fundo,
se lamentam,
mas logo se ajeitam

pra partirem também
de volta a seu novo mundo
que o velho ficou sentado
no banco de trás
e não quis descer

que do outro lado da via
alguém com mais
humanidade
o esperava

de olhos bem abertos
apesar desses olhos
não mirarem terra à vista

apesar desses olhos mirarem
apenas
para o mar

tantas e tantas
voltas
pra chegar aonde
ninguém agora
convém se lembrar

entre chegadas e
partidas

o caminho é o mesmo:
estreito, vasto e lunar

entre idas e
vindas,

o caminho também pode ser esse:
um retorno a si mesmo